
Neste mundo, o tempo é uma dimensão visível. Assim como é possível olhar para longe e ver casas, árvores, picos de montanhas, que são marcos no espaço, é possível olhar em outra direção e ver nascimentos, casamentos, mortes, que são marcos no tempo, estendendo-se ao longe no futuro. E, assim como é possível escolher permanecer em um lugar ou correr para outro, é possível escolher o movimento que se faz pelo eixo do tempo. Algumas pessoas temem viajar para longe de um momento agradável. Elas permanecem próximas a um ponto temporal, quase não se afastando de um ambiente familiar. Outras voam imprudentemente para o futuro, sem se preparar para a rápida sequência de eventos.
Numa pequena biblioteca da escola politécnica de Zurique, um rapaz e seu orientador estão discutindo o trabalho de doutoramento do rapaz. É dezembro, e o fogo queima na lareira […]. O jovem e seu professor estão sentados em confortáveis cadeiras de carvalho ao lado de uma mesa redonda coberta de páginas preenchidas por cálculos e mais cálculos. A pesquisa tem sido difícil. Uma vez por mês, durante os últimos dezoito meses, o jovem tem se reunido com seu professor nesta mesma sala. Ele pede orientação e esperança, estuda por mais um mês e volta com novas questões. O professor tem sempre lhe dado respostas. Hoje, novamente, o professor explica. Enquanto o professor está falando, o jovem olha pela janela, observa como a neve se mantém agarrada ao espruce ao lado do prédio, imagina como se virará sozinho depois que se formar. Sentado em sua cadeira, o jovem dá um passo hesitante no tempo, apenas minutos rumo ao futuro, arrepia-se com o frio e a incerteza. Recua. Muito melhor é ficar neste momento, ao lado do calor da lareira, ao lado da ajuda calorosa do orientador. Muito melhor é parar o movimento no tempo. E assim, neste dia na pequena biblioteca, o jovem estaciona. Seus amigos passam por ele, detêm-se por um instante para vê-lo parado neste momento e continuam rumo ao futuro cada qual em seu ritmo.
Alan Lightman, Sonhos de Einstein.
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